Construção civil deve manter ritmo forte em 2011, prevê CNI

Depois de manter o ritmo de atividade em alta ao longo de todo ano de 2010, a indústria da construção civil deve repetir o forte desempenho em 2011. O otimismo pode ser medido pela expectativa positiva dos empresários do setor. De acordo com sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o indicador de nível de atividade para os próximos seis meses atingiu 61,9 pontos. Números acima de 50 indicam aumento.

A perspectiva favorável está baseada no mercado aquecido de construção de edifícios e nas obras de infraestrutura. “A demanda doméstica seguirá elevada, com condições facilitadas de acesso ao crédito imobiliário. Soma-se a isso a ascensão da classe média, os programas de habitação do governo e as obras voltadas para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016”, explicou Renato da Fonseca, gerente-executivo de pesquisas da CNI.

Apesar do otimismo, Renato da Fonseca chama atenção para o fato de que as empresas do setor, de todos os portes, estão cada vez mais preocupadas com a falta de mão de obra qualificada. Trata-se do principal problema apontando pelos empresários na sondagem, que teve a série histórica iniciada no final de 2009.

Divulgado a cada trimestre, o indicador mostra uma tendência ininterrupta de crescimento desde os últimos três meses de 2009.  Nesse intervalo, passou de 53 pontos para 68,4 pontos.

“Sem dúvida a construção civil é o setor mais afetado com a falta de mão de obra qualificada. Representa um problema sério, já que obriga a companhia a contratar e capacitar esse profissional durante o empreendimento. Isso, por outro lado, aumenta o custo e o tempo do serviço”, ressaltou o gerente-executivo da entidade.

A continuidade dessa situação poderá acabar por reduzir o ritmo de expansão do nível de atividade da construção civil em 2011, devido ao fato que a capacitar pessoas requer um tempo para ser concluída.

“De qualquer maneira, não acredito que possa representar um freio significativo. O que pode acontecer num primeiro momento é que talvez o problema não permita que tenhamos um crescimento conforme a demanda forte”, afirmou Fonseca.

Segundo ele, 2010 não pode ser considerado como um ano de recuperação, após as perdas decorrentes da crise financeira de 2008. Com políticas de incentivo do governo, argumentou, a retomada começou de fato em meados de 2009.

“Portanto, o ano passado foi de crescimento mesmo”, declarou. O indicador de nível de atividade do setor permaneceu em alta em todos os meses do ano, embora tenha desacelerado na passagem de novembro a dezembro de 2010, de 53 pontos para 51 pontos. A CNI não sabe explicar com exatidão as razões que levaram ao recuo no ritmo, mas aposta em fatores como sazonalidade e condições climáticas. As chuvas, por exemplo, interrompem as obras.

A entidade acredita que dentro de cinco anos, quando tiver uma série histórica maior, terá condições de mapear o setor com mais clareza. O ritmo de expansão da atividade segue maior entre as empresas de grande porte, onde o nível atingiu 54,2 pontos. Entre as médias, o indicador está em 50,4. As pequenas, no entanto, apresentam retração, ao registrar 48,4 pontos.

A sondagem foi realizada entre os dias 3 e 20 de janeiro com 375 empresas, sendo 186 pequenas, 140 médias e 49 grandes.

(Fernando Taquari | Valor)

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